Instituto Paulo Pasquali
Header - color line

Células-tronco na odontologia: a fisiologia da enxertia óssea

Dr. Paulo Pasquali

Dr. Paulo Pasquali

Mestre, Doutor e Pós-Doutorando em Implantodontia com ênfase em Transplante Celular Odontológico.

Quem diria que um dia iríamos falar sobre elas em nossas enxertias. É incrível pensar que, compreendendo as células-tronco, podemos melhorar nossas enxertias ósseas não autógenas.
Células-tronco na odontologia e na enxertia óssea através do TCO

Hoje irei falar sobre um assunto muito novo na odontologia: células-tronco. Quero trazer um entendimento simples e básico para que você compreenda o processo de transformação das células-tronco em células sintetizadoras dos tecidos que desejamos.  E, no caso da enxertia óssea, o tecido desejado é o osso vital novo para que ocorra as ósseo-integrações com os implantes.

Se preferir assistir, veja o vídeo sobre o assunto aqui ou no final do post.

Tudo iniciou com a descoberta das células-tronco em 1968 por Friedestein e colaboradores (Friedestein et al. 1968). Desde então, a compreensão da proliferação celular e a continuidade da vida se tornaram mais claros. Possuindo características ímpares, as células-tronco se diferenciam de outros tipos celulares pela sua capacidade de proliferação, ou seja, desenvolvimento. Elas se proliferam, se desenvolvem, com mais rapidez em relação a diversos tipos celulares.

  • Autorenovação: Sua capacidade é, sim, de formar tecido, mas ela também possui a capacidade de se autorreplicar, permitindo a continuidade da vida.
  • Diferenciação em diversos tipos de células: possui capacidade de diferenciação em diversos tipos celulares, promovendo no local que estão presentes a neoformação de tecidos desejados. Assim, no caso das enxertias ósseas, se transformando em osteoblastos.
  • Promoção da homeostasia: é a capacidade de restabelecer as necessidades celulares e teciduais no organismo, provocando um equilíbrio.
  • Estrutural: com sua capacidade proliferativa são formados tecidos que compõem os órgãos e estes, os sistemas do organismo, tornando tudo um todo.
  • Funcional: através de suas capacidades de diferenciação e auto renovação, restabelecem a sequência da vida, pela constante busca de homeostasia local ou corporal.

Bem, você sabia que temos distintas composições e concentrações celulares dependendo da região em que o sangue é coletado?

Em análises que realizei, pude observar que a concentração de células-tronco adultas é diferente dependendo do local em que o sangue é coletado, além de as mesmas possuírem capacidade também distinta no seu potencial formador tecidual. Nas avaliações observadas conclui-se que o sangue medular mandibular possui extrema diferenciação celular na composição.

Essa diferenciação quantitativa e qualitativa é de suma importância quando falamos em fisiologia na enxertia óssea. Isso porque, quando citada na utilização de sangue medular mandibular, temos que compreender que a mandíbula possui origem diferente e ímpar em relação a outros ossos que podem tradicionalmente dar origem ao tecido sanguíneo, além de possuir uma estrutura cortical muito mais espessa a da maxila. Isso, no meu entendimento, é um fato que ocorre devido a inserção de músculos de forte potencial de ação mastigatória (como temporal, masseter) estimulando, assim, constantes remodelações que são dependentes da estrutura medular que fica então super ativa no quesito proliferação celular.

Essa capacidade inigualável que o sangue medular mandibular possui o diferencia muito do sangue periférico (tradicionalmente utilizado nas enxertias ósseas), inclusive  do sangue medular ilíaco, pois, a sua maior capacidade osteogênica já comprovada o torna o sangue de primeira eleição para um resultado seguro nas enxertias ósseas associadas ao biomaterial, tanto em bloco como particulado.

Observações na esfera da pesquisa comprova que o sangue medular mandibular é muito mais osteogênico que o sangue ilíaco, fortalecendo dessa forma minha observação a respeito da maior concentração de células-tronco adultas no sangue medular mandibular. Associado, também, a sua maior qualificação, estas células se transformam em osteoblástos e, estes os obreiros celulares formadores de tecido ósseo desejado nas enxertias ósseas.

Essa riqueza de detalhes no entendimento da fisiologia faz total diferença em nossas enxertias ósseas. 

A compreensão da origem do sangue que utilizamos em nossas enxertias ósseas nos traz o entendimento de que o sangue que possui maior capacidade de alavancar resultados nas enxertias é o que devemos utilizar a nosso favor. Isso permite que o processo dos nossos enxertos fique estabilizado e  equilibrado, preenchendo as necessidades que o meio fisiológico exige, tornando o meio da enxertia mais potente quanto maior a concentração de células-tronco presentes no sangue utilizado na enxertia.

Desenvolvimento embrionário: do zigoto ao indivíduo adulto

É preciso entender que existem diferenças entre as células-tronco embrionárias e células-tronco adultas. As células-tronco embrionárias estão presentes até o oitavo dia da formação do embrião. Após esse período ela é intitulada célula-tronco adulta. Ela recebe esse nome pois possui a capacidade, desde então, de se transformar em células formadoras de todos os tecidos do nosso corpo.

Assim acontece o desenvolvimento do feto. Assim acontece a formação de todas as estruturas funcionais e assim acontece a formação de todas as estruturas funcionais e estruturais do nosso organismo, e é dessa forma que acontece o desenvolvimento do feto.

A partir do 8º dia, na segunda semana, estamos diante de células tronco pluripotentes, ou seja, células que possuem a capacidade de desenvolver várias funções, capazes de formar vários tecidos, sejam eles neurônios, músculos, células sanguíneas e todas as linhagens possíveis para que, realmente, ocorra o desenvolvimento próprio do feto e as formações básicas dos tecidos.

Células pluripotentes
Células pluripotentes

Na replicação das células-tronco adultas, as mesmas se transformam (se diferenciam) em uma célula que vai ser formadora do tecido desejado. Ou seja: se a célula-tronco estiver presente em um meio com presença de cartilagem, se diferenciarão em condrócitos, para sintetizar cartilagem. Caso    estiverem no meio adiposo, essas células irão se identificar como adipócitos e irão sintetizar gordura. No caso de bases ósseas (enxerto), se diferenciarão em osteoblastos que sintetizarão tecido ósseo.

Assim, é importante salientar que além de se diferenciarem em células formadoras de tecido, as células-tronco adultas se replicam em mais uma idêntica a ela, para que ocorra a continuidade do processo da vida.

Nas enxertias ósseas, essas células-tronco presentes no local da enxertia irão se identificar como osteoblastos, o nosso soldado formador de estrutura óssea. Então, se concentrarmos uma maior quantidade de células-tronco no nosso meio de enxertia, será que não teremos maior presença de osteoblastos? E, se isso acontecer, será que não teremos maior formação da estrutura óssea desejada? Falo aqui em estrutura viva, neoformada, perfeita para nossas os osteointegrações.

Nesse sentido, um dos pilares que fortalecem muito o método TCO – Transplante Celular Odontológico visa trazer uma maior concentração celular, uma maior concentração de fatores de crescimento ao enxerto através de uma maior concentração do sangue medular mandibular (mais potente em relação ao sangue periférico), substituindo o sangue periférico. Pois, no meu entender, é o sangue mais potente e qualificado para potencializar todo o processo de enxertos ósseos não autógenos.

A relação entre células-tronco hematopoiéticas e mesenquimais com o enxerto ósseo

O ser humano possui diversos tipos de células-tronco adultas. Falando em enxertia óssea, existem dois tipos muito importantes para se compreender: as células-tronco hematopoiéticas e células-tronco mesenquimais.

Primeiro, a célula-tronco hematopoiética, como o nome já diz, são responsáveis pela renovação dos agregados sanguíneos. Antes de se transformarem em uma outra célula-tronco adulta, concomitantemente se transformam em um dos  elementos figurados do sangue (leucócitos, plaquetas, etc), mantendo assim o equilíbrio dos componentes sanguíneos.

As célula-tronco mesenquimal (adulta) é a célula formadora tecidual/estrutural do nosso organismo.

Células tronco hematopoiéticas e células tronco mesenquimais
Células tronco hematopoiéticas e células tronco mesenquimais

Assim, os dois principais tipos de células-tronco participativas nas nossas enxertias ósseas são:

  1. Célula-tronco Hematopoiética =  formadoras do sangue;
  2. Célula-tronco Mesenquimal (adulta) = formadoras de  tecidos.

No processo de enxertia, queremos as duas, claro, e em maior quantidade possível, com o objetivo de aditivar a capacidade proliferativa do nosso enxerto ósseo.

Através de utilização do exame de citometria de fluxo (exame que realiza a leitura das células presentes quantitativamente no sangue), identifiquei e pude comprovar que o sangue medular mandibular, em comparação ao sangue periférico é muito mais potente, por possuir em sua composição maior concentração de células-tronco adultas. Portanto, são muito mais capazes na formação de tecido ósseo, ponto crucial para a obtenção de resultados positivos.

Processo da vida: o envelhecimento, a célula-tronco e a enxertia.

As células-tronco estão em todo nosso corpo. Elas são a vida, a renovação constante. E, para entendermos essa evolução, precisamos entender os telômeros. Imagine que os telômeros são pequenas antenas nas nossas células que, toda vez que acontece a replicação (o processo de neoformação celular), há uma diminuição dessa antena. Além dessa diminuição, existe também nos telômeros um limite de replicação. Esse é o processo da vida.

Por isso a velhice e a juventude. O vigor jovial e a diminuição dele na senilidade.

Telômeros
Telômeros

Pesquisas demonstram que, conforme a idade vai avançando, nossa capacidade regenerativa vai diminuindo e a concentração de células-tronco também vai diminuindo. É por isso que as enxertias também devem ser observadas dessa forma, pois em pacientes de idade mais avançada devemos ter maior atenção. Se não observarmos esses aspectos com a devida cautela, com certeza teremos resultados indesejados nos processos de enxertia.

O que acontece dentro do enxerto ósseo: aplicabilidade das células-tronco na odontologia

Até aqui, falamos dos  tipos células-tronco, dos  diferentes locais de obtê-las, e agora chegamos ao ponto: o que acontece dentro do nosso enxerto.

Osteoblasto e Fibroblasto
Osteoblasto e Fibroblasto

Na imagem, uma célula mesenquimal está se diferenciando em um osteoblasto e fibroblasto. Sabemos que ela é capaz de formar vários tecidos dependendo do meio em que está. Se ela está no osso se diferenciará em osteoblasto; se está na gengiva, em fibroblasto. O fibroblasto irá sintetizar fibras colágenas, já o osteoblasto irá formar uma estrutura óssea.

Sabemos, também, que o fibroblasto possui uma capacidade proliferativa mais acelerada do que o osteoblasto. Logo, se você inserir uma barreira, esta bloqueará o fibroblasto presente do tecido gengival, evitando assim a formação de fibrose no enxerto. Ao contrário, se utilizarmos uma membrana (que permite a passagem do fibroblasto gengival para o enxerto ósseo) esse se alojará no enxerto – biomaterial – permitindo, assim, a formação de fibrose no enxerto através do desenvolvimento de fibras colágenas no biomaterial.

Esse é o grande diferencial da enxertia pensando na ótica da fisiologia, como preconiza o método TCO. Dessa forma seu enxerto não autógeno não vai ficar fibrosado.

É por isso que quando os profissionais acessam as enxertias não autógenas para realizar a instalação dos implantes encontram um enxerto todo indefinido na sua composição. Fortalecendo, assim, o método TCO, que utiliza a barreira para criar um bloqueio do processo de fibrosamento e associa o sangue medular mandibular ao biomaterial (tanto particulado como em bloco) para potencializar o todo, através das suas mais diversas concentrações celulares.

Células-tronco na odontologia: A barreira, o osteoblasto e o fibroblasto na enxertia óssea
A barreira, o osteoblasto e o fibroblasto na enxertia óssea

Na imagem, a seta superior aponta o movimento que o osteoblasto realiza com a utilização da barreira, permanecendo na enxertia. Do contrário, o fibroblasto gengival (setas inferiores) poderiam passar para o enxerto, mas são bloqueados pela barreira, permanecendo a nível gengival, evitando seu deslocamento para o enxerto ósseo. Como consequência, evitando o fibrosamento do mesmo.

Quer dizer: fibroblasto do lado gengival e osteoblastos do lado do enxerto. E com um detalhe: do lado do enxerto com sangue medular mandibular, que é muito mais potente.

As células-tronco na odontologia é um assunto novo, muito temos para entender deste processo que foca totalmente na fisiologia. Por isso, proponho que o profissional da odontologia raciocine de forma mais simples, de forma fisiológica. Sem complicar algo que está pronto para utilizarmos, o sangue medular mandibular na sua integralidade, sem manipulações.

Entender a fisiologia é entender o que acontece dentro do seu enxerto e, assim, realizar atos cirúrgicos mais previsíveis, seguros, menos invasivos e dependente somente do profissional na sua própria clínica, evitando altas complexidades muitas vezes como internações hospitalares, dependências de hematologistas para obtenção de sangue ilíaco, etc.

O método TCO veio para mudar a forma de pensar e de agir nas enxertias ósseas, resgatando a possibilidade de realizar e resolver muitas necessidades e sonhos dos nossos pacientes, muitas vezes até vislumbrando a possibilidade da busca de reabilitações implantosuportadas individualizadas com 12 ou 14 implantes, pois, sabemos que a implantodontia é osso dependente e o método TCO veio para fortalecer este contexto.

Veja o vídeo sobre as células-tronco na odontologia:

Header - color line
Compartilhe esse artigo:
Header - color line
Assine a newsletter do Instituto e receba as notícias e artigos direto no seu email.
Header - color line
Conheça o método TCO

Assista a Masterclass disponível gratuitamente e por tempo limitado em que Dr. Paulo Pasquali apresenta o que é o TCO, a sua origem de sua criação e a sua aplicabilidade nos enxertos ósseos odontológicos.

Header - color line
Veja os casos reais com TCO

Assista a Masterclass disponível gratuitamente e por tempo limitado em que Dr. Paulo Pasquali apresenta o que é o TCO, a sua origem de sua criação e a sua aplicabilidade nos enxertos ósseos odontológicos.

Uma nova forma de pensar e agir nas enxertias ósseas

Logotipo TCO - Transplante Celular Odontológico
Símbolo - Instituto Paulo Pasquali - 75 x 75

Olá, colega da odontologia. Nosso site utiliza cookies para te trazer uma melhor experiência.
Ao continuar navegando, entendemos que você está de acordo com nossa Política de Cookies e Privacidade.